Nova plataforma permite que a sociedade possa monitorar áreas de mineração na Amazônia

Através de uma ferramenta de inteligência artificial alimentada com imagens de alta resolução, jornalistas, por exemplo, vão poder levantar dados para embasar reportagens investigativas sobre garimpos

A mineração e, em especial, o garimpo, tem ganhado protagonismo na cobertura jornalística, devido aos seus impactos em rios e florestas, como visto na região do Tapajós, no Pará. Desde o início deste mês de abril, jornalistas e pesquisadores ganharam uma nova ferramenta para investigar a atividade na Amazônia, a plataforma Amazon Mining Watch.

A iniciativa, desenvolvida em parceria pelo Rainforest Investigations Network (RIN) do Pulitzer Center e a Earthrise Media, utiliza inteligência artificial para “ler” imagens de satélite em alta resolução e detectar padrões de áreas usadas por garimpos de ouro e outras atividades de mineração a céu aberto na região amazônica.

A plataforma permite que a mineração seja monitorada de forma remota por jornalistas, por exemplo, para levantar dados e embasar reportagens investigativas. A Amazon Mining Watch não distingue, entretanto, atividades legais (aquelas com as devidas autorizações) e ilegais.

Para fazer o reconhecimento das áreas de garimpo são utilizadas características topográficas. Em sua versão beta, a plataforma é capaz de analisar 326 milhões de imagens de alta resolução – que cobrem toda a extensão da Amazônia, não apenas no Brasil – a cada quatro meses. Através de um algoritmo treinado pelos pesquisadores, a ferramenta identificou uma área com características de atividade de mineração do tamanho de 6,8 mil quilômetros quadrados, o equivalente a mais de quatro vezes a área da cidade de São Paulo. A maior parte dos pontos está no Brasil, na Guiana e na Venezuela.

Por ser um método automatizado, os desenvolvedores do projeto admitem a existência de falsos positivos, mas reforçam que o principal objetivo da Amazon Mining Watch é encorajar jornalistas, pesquisadores e ativistas a usar os dados como um trampolim para investigar mais profundamente os resultados.

Fonte: O Eco.Org

Fotos: Felipe Werneck – Ibama

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